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Quarta-feira, 24 de abril de 2019 -

Jovens chegam ao mercado de consumo com alto grau de endividamento

A inadimplência, que atinge mais de 60 milhões de brasileiros, hoje chega a ser um problema alarmante nas gerações mais jovens, que já entram no mercado de consumo com alto grau de endividamento. Um estudo inédito realizado pela ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) revela alguns números preocupantes: 32% da Geração Z (faixa etária até 21 anos), com população total de 13,8 milhões, está inadimplente. Em números absolutos, são 4,4 milhões de endividados.

Na geração dos chamados millennials (idade entre 22 e 37 anos), que engloba 51,5 milhões de pessoas, a situação é ainda pior: o percentual de endividados chega a 40%, ou 20,6 milhões de jovens. Somando essas duas gerações, o total de jovens endividados no país atinge o número de 25 milhões – o que significa que, a cada dez brasileiros endividados, quatro pertencem às gerações Z e millennials.

Ainda de acordo com a pesquisa da ANBC – que se baseou nos dados divulgados pelo setor e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) -, o valor médio da dívida dos jovens da geração Z é de R$ 1.676,00. Entre os millennials, o tíquete médio da dívida é ainda maior (mais do que o dobro), alcançando R$ 3.737,00.

Na avaliação de Elias Sfeir, presidente da ANBC, há vários fatores que explicam essa situação. “A carência de educação financeira e de mentalidade de poupança é comum a todas as gerações e estimula a situação de inadimplência”, avalia. “Para os mais jovens, a escassez de emprego e a dificuldade de acesso ao ensino agravam o cenário”. Além disso, ele observa que o fator consumismo também deve ser levado em conta. “Coisas como tênis, celulares e notebooks são trocados constantemente pelo último modelo lançado. Não há orçamento que suporte tantos gastos. Esse comportamento de compra compulsiva e irracional é mais forte entre os jovens”, comenta.

E o cenário, em termos de endividamento, tende a se agravar. “As gerações mais novas, de forma geral, ainda não constituíram família e, portanto, não sofrem a pressão de encargos adicionais como manutenção da casa, educação dos filhos e plano de saúde”, observa Sfeir. Essas obrigações mensais com os dependentes pesam fortemente na inadimplência da próxima geração – a X -, que é a que apresenta maior percentual e maior tíquete médio de endividamento. Constituída de 44,6 milhões de brasileiros, a geração X (faixa de 38 a 53 anos) apresenta 42% de endividados – 18,6 milhões de pessoas – e uma dívida média de R$ 5.351,00.

“Esse estudo mostra o quanto o cenário econômico tem influenciado a inadimplência, mas também indica a importância da adoção de medidas estruturais capazes de reduzir o custo do crédito, como a aprovação do Cadastro Positivo (em votação no Congresso Nacional), e a inclusão da educação financeira nos currículos dos diversos níveis de ensino”, finaliza Sfeir.

Sobre a ANBC
– A ANBC é uma associação sem fins lucrativos que representa os birôs de crédito no Brasil e que, por enquanto, tem como associadas a Serasa Experian e a Boa Vista SCPC. Seu objetivo é trabalhar pela expansão do setor de crédito no Brasil e pelas principais bandeiras do setor, como o Cadastro Positivo para todos os consumidores, que está em votação no Congresso Nacional. Na visão do setor e da ANBC, o Cadastro Positivo pode contribuir para reduzir os juros, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do crédito. A ANBC também atua pela redução da inadimplência, com o estímulo, entre outras ações, à educação financeira, inclusive nas escolas. Um dos objetivos da ANBC ao pensar no estudo que resultou nesse texto sobre o comportamento financeiro dos jovens foi alertar para a importância de se começar a estimular a consciência financeira dos cidadãos desde cedo e evitar assim seu endividamento no momento de entrada no mercado de crédito. A ANBC fez o estudo com base nos números divulgados pelos birôs e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

– O estudo coletou as informações dos birôs sobre inadimplência, considerando a quantidade de inadimplentes, valor do ticket médio, por faixa de idade e por região. E cruzou com os dados do IBGE de população, refazendo a distribuição por faixas de idade diferentes, que são as gerações. A base veio dos birôs e com os dados do IBGE, a partir da população dentro da faixa de idade considerada inadimplente, apenas reagrupando por gerações, ou faixas de idades diferentes.

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